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Casa Ermelinda Freitas – Quinta de família da Península de Setúbal

Robert KozinskiPor Robert Kozinski
13 de agosto de 2026
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Casa Ermelinda Freitas em Fernando Pó: tintos e brancos premiados da Península de Setúbal. História, estilo, ficha técnica e vinhos em retrato.

O essencial

  • 1Empresa familiar na quinta geração, fundada por volta de 1920 – desde 1997 engarrafa vinhos próprios em vez de vender a granel.
  • 2Cerca de 550 hectares de vinha em Fernando Pó (Palmela), uma das maiores explorações familiares da Península de Setúbal.
  • 3Cerca de 60 por cento da área está plantada com Castelão, a casta tinta emblemática da região, aqui com vinhas velhas em solos de areia.
  • 4Marcas como Dona Ermelinda, Quinta da Mimosa, Terras do Pó e Leo d'Honor cobrem tudo, do vinho do dia a dia aos grandes tintos.
  • 5Segundo a própria casa, mais de 900 distinções nacionais e internacionais, além de aquisições nos Vinhos Verdes e no Douro.

Ficha

Região
Península de Setúbal – Fernando Pó, concelho de Palmela, Portugal
Fundada
por volta de 1920 por Deonilde Freitas; vinhos engarrafados próprios desde 1997
Proprietário / Enólogo
Família Freitas na quinta geração, liderada por Leonor Freitas; enólogo Jaime Quendera
Área de vinha
cerca de 550 hectares, predominantemente na Península de Setúbal
Castas principais
Castelão, Touriga Nacional, Syrah, Aragonez, Fernão Pires, Arinto, Moscatel de Setúbal
Estilos de vinho
Tintos frutados, brancos frescos, rosé, espumante e Moscatel fortificado
Classificação
DOC Palmela e DOC Setúbal, além do vinho regional IG Península de Setúbal
Particularidade
Vinhas velhas de Castelão em solos de areia e, segundo a própria casa, mais de 900 medalhas em concursos

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Resumo

A Casa Ermelinda Freitas, na localidade de Fernando Pó, junto a Palmela, é talvez a quinta familiar mais conhecida da Península de Setúbal – aquela península a sul de Lisboa situada entre o Tejo e o Sado. Em cerca de 550 hectares nascem sobretudo tintos frutados e macios de Castelão, além de brancos frescos, rosés e do Moscatel de Setúbal, ex-líbris da região. A história da empresa é notável: durante quatro gerações a família vendeu o seu vinho a granel e só em 1997, com Leonor Freitas, começou o engarrafamento de marcas próprias. Em poucas décadas tornou-se uma das empresas vitivinícolas de maior sucesso em Portugal.

História

As raízes da casa remontam a cerca de 1920, quando Deonilde Freitas cultivava vinhas em Fernando Pó. Ao longo das gerações a exploração passou de mulher para mulher: de Deonilde para Germana Freitas e depois para Ermelinda Freitas, que deu o nome à casa. Ermelinda assumiu a liderança após a morte precoce do marido, Manuel João de Freitas – numa época em que uma empresa vitivinícola dirigida por uma mulher era exceção em Portugal.

Até aos anos noventa, a família vendia a colheita quase toda como vinho a granel a engarrafadores e adegas cooperativas. A viragem chegou em 1997: Leonor Freitas, filha de Ermelinda, assumiu a direção e converteu a empresa ao vinho engarrafado próprio. A primeira marca própria foi Terras do Pó, em referência à terra natal. Seguiram-se Dona Ermelinda, Quinta da Mimosa, Vinha do Rosário e Leo d'Honor.

O sucesso das marcas financiou uma expansão rápida: dos cerca de 60 hectares que Leonor Freitas herdou passou-se hoje a cerca de 550 hectares. A empresa adquiriu ainda explorações noutras duas regiões vitivinícolas portuguesas – a Quinta do Minho, na região dos Vinhos Verdes, e a Quinta de Canivães, no Douro. O centenário foi celebrado em 2020.

Localização e Terroir

A Península de Setúbal estende-se a sul de Lisboa entre os estuários do Tejo e do Sado. O clima é mediterrânico e fortemente marcado pelo Atlântico: verões quentes e secos, invernos amenos e uma brisa marítima constante que arrefece as uvas e mantém a sanidade da vindima.

Quase todas as vinhas da Casa Ermelinda Freitas assentam nos solos arenosos planos e profundos da planície em redor de Fernando Pó. Estes solos são marcantes para a região: retêm pouca água, aquecem depressa e escaparam em larga medida à filoxera – uma das razões pelas quais aqui sobreviveu um número invulgar de vinhas velhas de Castelão de pé franco. Em areia, o Castelão dá tintos macios, de fruta silvestre e especiaria fina. Mais a ocidente, nas encostas calcárias da Serra da Arrábida, nascem, pelo contrário, os moscatéis clássicos da região.

Estilo e Filosofia

A assinatura da casa é deliberadamente acessível. No centro está a fruta: baga vermelha madura, taninos macios, uso moderado da madeira. Os vinhos devem beber-se jovens sem parecerem simples – uma estilística que o enólogo Jaime Quendera vem definindo há mais de duas décadas.

Tecnicamente, a adega é moderna: fermentação com controlo de temperatura, vinificação por casta e por parcela e um estágio criterioso dos vinhos de topo em barrica francesa e americana. Nos brancos de Fernão Pires, Arinto, Verdelho, Chardonnay e Sauvignon Blanc manda a frescura; são feitos sobretudo em redução, em cuba de inox.

Outro traço característico é a amplitude da gama. A Casa Ermelinda Freitas produz em grande escala – vários milhões de litros por ano – mantendo a qualidade constante em todos os patamares de preço. É justamente essa combinação de volume e fiabilidade que fez do nome um sinónimo de boa relação qualidade-preço em Portugal.

Vinhas e Vinhos Notáveis

A gama está organizada por marcas, cada uma com o seu nível de qualidade:

  • Terras do Pó – a primeira marca própria da casa, tintos e brancos descomplicados da planície em redor de Fernando Pó
  • Dona Ermelinda – a linha central, com o nome da avó; tintos de Castelão com Touriga Nacional, Syrah e Aragonez, além de brancos de Fernão Pires e Arinto
  • Quinta da Mimosa – um tinto de Castelão de vinhas velhas, um dos vinhos mais conhecidos da casa
  • Leo d'Honor – a linha de topo, batizada em honra de Leonor Freitas
  • Vinha do Rosário – outra marca de parcela da empresa
  • Moscatel de Setúbal – o doce fortificado da região, feito de Moscatel de Setúbal

A estes juntam-se os espumantes e os vinhos das explorações adquiridas na região dos Vinhos Verdes e no Douro.

Distinções

A Casa Ermelinda Freitas está entre os produtores mais premiados de Portugal. A própria casa indica ter conquistado mais de 900 distinções em concursos nacionais e internacionais desde 1999; comunicados mais recentes referem números bastante mais elevados. Com regularidade chegam medalhas do Concours Mondial de Bruxelles e do Concurso Vinhos de Portugal, a par de lugares cimeiros no concurso regional da Península de Setúbal.

A própria Leonor Freitas foi distinguida várias vezes em Portugal como empresária e viticultora – não por último pela construção de uma empresa que, no espaço de uma geração, passou de fornecedora de vinho a granel a marca com distribuição internacional. O espaço de enoturismo inaugurado em 2020, com museu, sala de provas e salão de eventos, permite hoje viver essa história no local.

Perguntas frequentes

Pelo que é conhecida a Casa Ermelinda Freitas?

A casa é sinónimo de tintos e brancos acessíveis e frutados da Península de Setúbal, a sul de Lisboa – sobretudo de Castelão de vinhas velhas em solos arenosos. A Casa Ermelinda Freitas é ainda reconhecida por uma excelente relação qualidade-preço e por um número muito elevado de medalhas em concursos de vinhos.

Onde fica a Casa Ermelinda Freitas?

A empresa tem sede em Fernando Pó, uma localidade do concelho de Palmela, na península de Setúbal, a cerca de meia hora de carro a sul de Lisboa. As vinhas situam-se maioritariamente nos solos arenosos planos entre o rio Sado e a Serra da Arrábida.

Quem lidera hoje a Casa Ermelinda Freitas?

À frente está Leonor Freitas, que assumiu a liderança em 1997 e transformou um produtor de vinho a granel numa marca com presença internacional. Pelos vinhos é responsável, há muitos anos, o enólogo Jaime Quendera.

Que vinhos da Casa Ermelinda Freitas vale a pena provar?

Um bom ponto de partida são os tintos da gama Dona Ermelinda e os brancos frescos de Fernão Pires e Arinto. Se quiseres conhecer o estilo da casa a um nível mais alto, escolhe o Quinta da Mimosa, feito de Castelão. A isso junta-se o Moscatel de Setúbal, o clássico doce da região.

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