Resumo
A Terra Fageto é uma quinta familiar com certificação biológica no Val d'Aso, o estreito vale fluvial do sul das Marcas que desce dos montes Sibillini até ao Adriático. Em cerca de 35 hectares, a família Di Ruscio – hoje na quarta geração – cultiva vinhas nas colinas entre Pedaso, Campofilone e Altidona. O peso está claramente no branco: mais de 70% da produção vem das castas autóctones Pecorino, Passerina e Trebbiano, a que se somam tintos de Montepulciano e Sangiovese, espumantes e um passito. O que define a casa é a combinação de viticultura biológica convicta, castas locais e um terroir que, entre a brisa marítima e o ar da montanha, dá vinhos marcadamente frescos e quase salinos.
História
A história da quinta começa nos anos cinquenta, quando o avô Dante Di Ruscio produzia e vendia vinho em Campofilone. Dessa época vem o núcleo mais antigo das vinhas. Na geração seguinte assumiram Claudio Di Ruscio e a mulher, Maria: com eles começou o engarrafamento próprio e, a par das pipas de madeira, entraram na adega as cubas de aço inoxidável.
Hoje a empresa é conduzida por Angelo e Michele Di Ruscio, sendo Angelo a quarta geração da família. O nome remonta à antiga designação 'Castel Fageto', que por sua vez alude ao Castello di Pedaso. O passo mais importante dos últimos anos foi a conversão à agricultura biológica certificada, concluída há cerca de uma década – para uma família que trabalha diariamente entre as vinhas foi, segundo as suas próprias palavras, uma decisão natural.
Localização e terroir
O Val d'Aso é um vale fluvial estreito, com apenas uns cinquenta quilómetros, que corre de oeste para leste, dos Apeninos até ao Adriático. Essa orientação é a chave do estilo da casa: de manhã as brisas sobem do mar, enquanto os montes Sibillini, nas costas da quinta, garantem noites frescas e uma amplitude térmica assinalável. O resultado são vinhos de grande nitidez aromática, guiados pela acidez e com frescura muito perceptível.
As parcelas concentram-se em dois núcleos. A parte norte, no território de Campofilone, é mais fresca e fica mais tempo à sombra da manhã; aqui estão sobretudo as castas brancas Trebbiano, Pecorino, Passerina e Chardonnay, além do olival com variedades regionais. A parte sul, em Altidona, na Contrada Belvedere, abrange cerca de dez hectares a uns 250 metros de altitude, muito soalheiros e bastante expostos ao vento. O solo é aí de um vermelho marcado, rico em óxido de ferro e de origem pliocénica – difícil de trabalhar, mas determinante para a estrutura dos vinhos. No conjunto dominam solos argilo-calcários com presença de ferro.
Estilo e filosofia
A assinatura da Terra Fageto é discreta e ligada à origem. Na vinha dispensam-se os produtos químicos de síntese, trabalhando-se essencialmente com cobre e enxofre, e algumas parcelas são conduzidas em biodinâmica – o branco chamado 500 deve o nome precisamente ao preparado biodinâmico de estrume de chifre. Na adega, as adições de sulfitos mantêm-se deliberadamente baixas.
Em termos de estilo, os brancos comandam: o Pecorino dá vinhos encorpados, de perfil herbáceo e especiado e acidez firme, ao passo que a Passerina oferece bases mais esguias e cítricas, ideais para espumante. Nas reservas entra a madeira – o Chardonnay estreme Elisena, por exemplo, estagia cerca de um ano em barrica e mostra bastante mais volume com 14% vol. Os tintos de Montepulciano e Sangiovese seguem o padrão clássico do Rosso Piceno: fruta escura, tanino macio e extração comedida.
Vinhas e vinhos de referência
A gama reúne cerca de uma dúzia de vinhos, organizados por linhas:
- Salsedine e Fenèsia – Offida Pecorino DOCG, os cartões de visita da casa
- 500 – Marche Bianco IGT de base Pecorino, de um trabalho de inspiração biodinâmica
- Eva – Falerio DOC de Trebbiano, Passerina e Pecorino
- Letizia – Marche Passerina IGT
- Colle del Buffo e Rusus (selezione) – Rosso Piceno DOC
- Serrone – Marche Rosso IGT e Elisena – Marche Bianco IGT de Chardonnay
- P41 – método clássico Extra Brut, além dos espumantes Clèlia (Passerina) e Elìa (rosé)
- Alido – Marche Bianco Passito IGT, a par de um azeite virgem extra biológico
A quinta não trabalha com crus classificados: a diferenciação faz-se antes pelos concelhos de Campofilone, Pedaso e Altidona.
Prémios
A Terra Fageto é um produtor relativamente pequeno, notado menos pelas pontuações dos guias do que pelo reconhecimento no seu território. O Rosso Piceno DOC Selezione Rusus foi distinguido com o galardão 'Eccellenza delle Marche'; além disso, a quinta surge com regularidade em portais de vinho italianos e em relatos de prova do Piceno. Para um público mais alargado é sobretudo um endereço biológico fiável para Pecorino e Passerina do Val d'Aso – um perfil que assenta bem na atual revalorização do sul das Marcas.
