Resumo
A Weingut Graf Adelmann, no castelo de Schaubeck em Kleinbottwar, é um dos endereços mais conhecidos e com mais tradição do Württemberg. Em cerca de 27 a 29 hectares – mais de metade em encosta íngreme – nascem vinhos que seguem um caminho próprio numa região muitas vezes associada à potência: aqui contam elegância, finura e frescura de prova mais do que volume. A espinha dorsal são Lemberger, Riesling e Pinot Noir, acompanhados pelos famosos lotes tintos e pelas raridades doces. A viticultura em Schaubeck está documentada desde 1297 e a família Graf Adelmann detém a propriedade desde 1914.
História
Poucas quintas alemãs podem olhar para uma história tão longa e ininterrupta. A vinha em Kleinbottwar é mencionada já no século X; para o próprio castelo de Schaubeck está documentada em 1297. Esse vinho, então conhecido como “Schaubecker”, era fornecido às cortes europeias – prova precoce de que nunca foi vinho corrente.
As raízes da casa atual estão no século XIX. Em 1853 o castelo passou para Felix Freiherr von Brüsselle, que modernizou as vinhas com energia e cujo nome continua nos vinhos de topo. Em 1875 a filha dele casou com um membro da família suábia Adelmann von Adelmannsfelden e desde 1914 a casa gira sob o nome “Weingut Graf Adelmann”.
A figura decisiva do rumo moderno foi Michael Graf Adelmann, à frente desde 1978 como quarta geração. Já em 1981 começou a estagiar os melhores tintos em barrica – então uma exceção no Württemberg – e em 1989 apresentou o primeiro lote. O filho Felix Graf Adelmann assumiu em 2012; desde 2025 dirige a casa com o primo Quirin Graf Adelmann.
Localização e terroir
Kleinbottwar situa-se no vale do Bottwar, a norte de Ludwigsburg, na zona do Wunnenstein – um dos cantos mais quentes do Württemberg. As vinhas sobem as encostas em redor da aldeia, viradas a sul e a sudoeste; mais de metade da área é encosta íngreme e algumas parcelas atingem declives de 75 %. Socalcos e muros de pedra seca marcam a paisagem, e o trabalho continua a ser sobretudo manual.
Do ponto de vista geológico dominam os solos de Keuper: keuper gipsífero, margas coloridas e coberturas de arenito dão solos de profundidade variável, ricos em minerais e com boa retenção de água. É precisamente esta combinação – encosta quente sobre um subsolo mais fresco e com água – que explica o estilo da casa: uvas maduras, mas com acidez e frescura intactas.
Desde 2015 a quinta trabalha segundo as regras da viticultura biológica e desde 2018 está plenamente certificada (bio UE e Naturland). Enrelvamento, ausência de herbicidas e um manejo cuidadoso de encostas sujeitas à erosão fazem parte da abordagem.
Estilo e filosofia
A assinatura da casa resume-se numa palavra: elegância. Onde o Württemberg significou durante muito tempo tintos densos e ricos em extrato, a Graf Adelmann procura aroma, finura e comprimento. Na adega vale o princípio do não fazer controlado – a menor intervenção possível e, em troca, tempo. Os tintos fermentam de forma clássica com as películas e estagiam, consoante o nível, em tonéis grandes ou em barrica.
As castas tintas ocupam cerca de 60 a 70 % da área. O Lemberger – a mesma casta que o austríaco Blaufränkisch – é o principal e dá vinhos especiados e tensos, de fruta escura e acidez fina. Ao lado dele estão Pinot Noir, Trollinger e a especialidade local Samtrot. Entre os brancos manda o Riesling, completado por Pinot Gris e Pinot Blanc.
Os lotes são uma marca própria: desde 1989 os blends tintos entre várias castas fazem parte fixa da gama e contam-se entre os vinhos mais característicos da casa.
Vinhas e vinhos conhecidos
A gama segue o modelo do VDP – dos vinhos de quinta aos vinhos de aldeia e, no topo, os Grosse Gewächse. As vinhas principais ficam todas à volta de Kleinbottwar:
- Kleinbottwarer Süßmund – VDP.Grosse Lage, explorada em monopólio
- Kleinbottwarer Oberer Berg – VDP.Grosse Lage, também monopólio
- Kleinbottwarer Götzenberg – VDP.Grosse Lage
- Kleinbottwarer Lichtenberg – VDP.Erste Lage
Acima dos vinhos de vinha isolada estão as marcas históricas da casa: “Brüssele” e “Brüssele’r Spitze”. Sob o segundo nome saem, desde meados dos anos quarenta, as raridades doces da quinta – Beerenauslese, Trockenbeerenauslese e vinho de gelo, feitos apenas nas colheitas que o permitem.
Distinções
A Graf Adelmann pertence há décadas ao grupo da frente do Württemberg e aparece com regularidade nos lugares altos dos principais guias alemães – Eichelmann, Gault&Millau e wein.plus. A quinta tem também projeção internacional: autores como Hugh Johnson destacaram o carácter próprio e deliberadamente elegante destes vinhos.
O maior mérito talvez seja outro: ao longo de décadas a casa mostrou quanta finura e capacidade de guarda se escondem no Lemberger do Württemberg – fixando assim uma referência muito para além da região.
