Resumo
A Casa Relvas é um dos produtores familiares mais conhecidos do Alentejo. O projeto ganhou forma a partir de 1997, quando Alexandre Relvas assumiu a Herdade de São Miguel, junto a São Miguel de Machede, a leste de Évora – uma paisagem que fazia lembrar à família as suas raízes africanas. Em pouco mais de duas décadas, os primeiros hectares de vinha deram lugar a uma empresa com cerca de 350 hectares de vinha, adega própria e marcas presentes em mais de 30 países. Os vinhos são típicos do sul quente de Portugal: maduros, especiados e acessíveis, mas com uma clara procura de frescura e de trabalho artesanal. A isto junta-se uma forte orientação para a sustentabilidade que fez escola no Alentejo.
História
A família Relvas dedica-se à agricultura há várias gerações, em dois continentes. Em 1997, Alexandre Relvas adquiriu a Herdade de São Miguel, no concelho do Redondo – uma extensão de montado, a paisagem de sobreiros característica do Alentejo. A viticultura chegou por etapas: em 2001 foram plantados os primeiros cerca de dez hectares de vinha e, pouco depois, o enólogo Nuno Franco juntou-se ao projeto como consultor, com a área a crescer significativamente.
Ainda em 2001 surgiu uma segunda herdade, bem maior: a Herdade da Pimenta, na planície junto a Évora. Aí plantou-se vinha a partir de 2002 e, mais tarde, ergueu-se a adega moderna que é hoje o coração da produção. Em 2003 a casa passou a dispor da sua primeira adega. Nos anos seguintes nasceram as famílias de marcas que tornaram a Casa Relvas conhecida internacionalmente. Hoje a empresa é conduzida pelos filhos Alexandre Relvas Jr. e António Relvas, mantendo-se Nuno Franco responsável pelos vinhos.
Localização e Terroir
O Alentejo é a grande planície soalheira a sudeste de Lisboa – quente, seca e com amplitudes térmicas assinaláveis entre o dia e a noite. É justamente essa combinação que molda os vinhos da Casa Relvas: muita maturação e especiaria, mas também frescura suficiente, graças às noites frias e a datas de vindima escolhidas com cuidado.
As duas herdades centrais são bem distintas. A Herdade de São Miguel, junto ao Redondo, dá cerca de 35 hectares de vinha em solos de argila e xisto, rodeados de montado; estes solos dão tintos estruturados com fundo mineral. A Herdade da Pimenta, perto de São Miguel de Machede, ocupa cerca de 150 hectares nos solos maioritariamente graníticos da planície de Évora, onde nascem vinhos um pouco mais abertos e frutados. Vinha, sobreiros e olival não convivem por acaso: formam um sistema misto cultivado de forma consciente, próprio do Alentejo há séculos.
Estilo e Filosofia
A Casa Relvas não persegue o culto da garrafa raríssima: procura um vinho alentejano fiável em cada escalão de preço. Os tintos mostram fruta escura, ervas mediterrânicas e uma especiaria tostada fina vinda do estágio em barrica, sem que a madeira domine. A Alicante Bouschet – casta de polpa tinta especialmente valorizada no Alentejo – dá cor, estrutura e profundidade; Aragonez e Trincadeira trazem suculência e especiaria, e a Touriga Nacional acrescenta aroma floral e espinha dorsal. Nos brancos, a Antão Vaz dá corpo e a Arinto acidez e tensão.
O segundo pilar é a sustentabilidade. A empresa trabalha em produção integrada, participou no programa regional de sustentabilidade do Alentejo e, em 2022, foi a primeira dos dez maiores produtores da região a obter a certificação de produção sustentável; também no azeite a casa se conta entre as pioneiras da certificação. A completar, a gama Art.Terra é de cultivo biológico e inclui vinhos feitos em ânfora – um aceno à tradição alentejana das talhas de barro.
Herdades e vinhos notáveis
A gama está escalonada por origem e ambição:
- Herdade de São Miguel – a linha central, com o nome da herdade fundadora e níveis até aos Reserva
- Herdade da Pimenta – os vinhos da segunda herdade, na planície junto a Évora
- Ciconia – a gama acessível e de ampla distribuição, batizada com o nome da cegonha-branca
- Art.Terra – vinhos de cultivo biológico, incluindo os de ânfora
- Montinho, Monte dos Amigos, Segredos, Merino – outras marcas para o dia a dia e para a exportação
No total, a casa produz cerca de seis milhões de garrafas por ano, na sua maioria destinadas à exportação.
Distinções
Há anos que a Casa Relvas recolhe medalhas com regularidade em concursos internacionais – segundo a própria casa, mais de 300 medalhas de ouro na última década – e é comentada com frequência por publicações especializadas como a Decanter, a Wine Spectator e a Wine Enthusiast. Tão determinante quanto isso é o seu papel pioneiro na sustentabilidade: a certificação da produção sustentável em 2022 e a certificação precoce do azeite deram-lhe um reconhecimento que vai além da qualidade do vinho e fizeram avançar todo o Alentejo nesta matéria.
