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Cantina Santadi – O pioneiro do Carignano da Sardenha no Sulcis

Robert KozinskiPor Robert Kozinski
28 de setembro de 2026
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Cantina Santadi no Sulcis: cooperativa desde 1960, cerca de 600 hectares, Terre Brune com Giacomo Tachis e Carignano del Sulcis. História, estilo e ficha.

O essencial

  • 1Uma das cooperativas vinícolas mais prestigiadas de Itália, fundada em 1960 no Sulcis, no sudoeste da Sardenha.
  • 2Cerca de 200 sócios cultivam à volta de 600 hectares, muitas vezes com velhas cepas de Carignano em pé franco sobre solos arenosos.
  • 3O Terre Brune, criado em 1984 com o célebre enólogo Giacomo Tachis, é considerado o primeiro grande tinto da Sardenha estagiado em barrica.
  • 4Principal produtor da DOC Carignano del Sulcis – a cooperativa levou a casta ao reconhecimento internacional.
  • 5Antonello Pilloni dirigiu a casa como presidente durante 48 anos; desde 2024 é Elvio Daniele Curreli quem lidera a cooperativa.

Ficha

Região
Sardenha – Santadi (Sulcis, sudoeste da Sardenha), Itália
Fundada
1960 como Cantina Sociale di Santadi por um grupo de viticultores locais
Proprietário / Enólogo
Cooperativa com cerca de 200 sócios; presidente Elvio Daniele Curreli (desde 2024); equipa de adega liderada pelo enólogo Giorgio Marone, durante anos com a consultoria de Giacomo Tachis
Área de vinha
cerca de 600 hectares dos sócios no Sulcis
Castas principais
Carignano, Vermentino, Monica, Nuragus, Nasco
Estilos de vinho
tintos de Carignano potentes e estagiados em barrica, tintos suculentos para o dia a dia, brancos frescos de Vermentino, vinho doce
Classificação
Carignano del Sulcis DOC (incl. Riserva e Superiore), Vermentino di Sardegna DOC, Monica di Sardegna DOC, Nuragus di Cagliari DOC, vinhos IGT
Particularidade
Terre Brune – o Carignano criado com Giacomo Tachis que pôs o Sulcis no mapa do vinho

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Resumo

A Cantina Santadi é a prova de que uma cooperativa pode fazer vinhos de nível mundial. Fundada em 1960 no Sulcis, o extremo sudoeste da Sardenha, vinifica hoje as uvas de cerca de 200 sócios que cultivam à volta de 600 hectares de vinha. O seu coração é o Carignano, que aqui cresce muitas vezes em velhas cepas em vaso e em pé franco sobre solos arenosos. Com o Terre Brune, desenvolvido a partir de 1984 com o lendário enólogo Giacomo Tachis, a Santadi criou o primeiro grande tinto da ilha estagiado em barrica – e deu a conhecer ao mundo a DOC Carignano del Sulcis.

História

Em outubro de 1960, algumas dezenas de viticultores da aldeia serrana de Santadi uniram-se para fundar a Cantina Sociale di Santadi. A ideia era típica da época: juntas, as pequenas explorações do Sulcis valorizariam as suas uvas melhor do que qualquer uma sozinha. Durante muitos anos produziu-se sobretudo vinho a granel, muitas vezes enviado para o continente para lotes.

A grande viragem chegou em 1976, quando Antonello Pilloni foi eleito presidente. Assumiu uma cooperativa em grave crise financeira, reorganizou-a e apostou sem concessões na qualidade em vez da quantidade. Nos anos 1980 trouxe como consultor Giacomo Tachis, o enólogo por detrás de Sassicaia, Tignanello e Solaia. Tachis trouxe uma convicção simples mas decisiva: o vinho nasce primeiro na vinha. Rendimentos mais baixos, seleção rigorosa das uvas e o momento certo de vindima tornaram-se a base do novo estilo.

Em 1984 saiu a primeira colheita do Terre Brune, que tornou famosos a Santadi e o Carignano del Sulcis. Pilloni dirigiu a cooperativa durante cerca de 48 anos; em julho de 2024 passou a presidência a Elvio Daniele Curreli.

Localização e terroir

O Sulcis, no extremo sudoeste da Sardenha, é uma paisagem remota e soalheira entre a montanha e a costa. O clima é plenamente mediterrânico: verões quentes e secos, invernos amenos e brisas marítimas constantes que mantêm as vinhas saudáveis.

O traço mais marcante são os solos arenosos, sobretudo junto à costa. Neles a filoxera nunca se conseguiu espalhar verdadeiramente, e por isso o Sulcis conserva ainda muitas cepas velhas de Carignano em pé franco, quase sempre conduzidas em vaso baixo (alberello). Estas vinhas velhas dão rendimentos baixos e fruta concentrada e são a base dos melhores vinhos da cooperativa. Mais para o interior surgem solos com mais argila e calcário.

Estilo e filosofia

A Santadi junta a dimensão de uma grande cooperativa à ambição de uma adega de qualidade. Os sócios são acompanhados de perto no trabalho da vinha e as uvas são vinificadas separadamente por parcela e qualidade. A marca que Giacomo Tachis deixou na casa continua viva: fruta madura e límpida, identidade de origem e elegância em vez de pura potência.

O Carignano mostra aqui muitas facetas – desde tintos suculentos e frutados para o dia a dia até aos Riserva estagiados em madeira e ao denso e longevo Terre Brune. Nos brancos destaca-se o Vermentino, com as suas notas frescas, salinas e herbáceas, a par das castas autóctones Nuragus e Nasco.

Vinhas e vinhos conhecidos

A cooperativa trabalha com as vinhas dos seus sócios por todo o Sulcis e é conhecida sobretudo pelas suas linhas de vinho:

  • Terre Brune – Carignano del Sulcis Superiore, sobretudo Carignano com algum Bovaleddu, estagiado em barrica; o vinho de topo
  • Rocca Rubia – Carignano del Sulcis Riserva, estagiado em madeira, mais acessível do que o Terre Brune
  • Grotta Rossa – Carignano del Sulcis frutado e descomplicado
  • Villa Solais e Cala Silente – Vermentino di Sardegna, do fresco ao expressivo
  • Latinia – vinho doce à base de Nasco

A Santadi é também parceira da Agricola Punica, um projeto conjunto no Sulcis em que participa ainda a Tenuta San Guido (Sassicaia).

Prémios

Há décadas que o Terre Brune está entre os vinhos mais premiados da Sardenha e recebeu inúmeras vezes os Tre Bicchieri do Gambero Rosso. Também o Rocca Rubia e outros vinhos obtêm regularmente pontuações de topo em guias italianos e internacionais. Acima de tudo, porém, a Santadi é vista como um exemplo de como uma cooperativa pode fazer avançar uma região inteira: sem o trabalho feito em Santadi, o Carignano del Sulcis dificilmente seria hoje um dos tintos mais conhecidos da Sardenha.

Perguntas frequentes

Onde fica a Cantina Santadi?

A cooperativa tem sede na aldeia de Santadi, no Sulcis, o extremo sudoeste da Sardenha, a cerca de 60 quilómetros a oeste de Cagliari. As vinhas dos sócios espalham-se pelas colinas e pela faixa costeira do Sulcis, até muito perto do mar.

O que é o Terre Brune?

O Terre Brune é o vinho emblemático da Cantina Santadi: um Carignano del Sulcis Superiore feito sobretudo de Carignano com uma pequena parte da casta Bovaleddu. Nasceu a partir de 1984 com a consultoria de Giacomo Tachis, estagia em barricas francesas e é um dos vinhos de referência da Sardenha.

Que castas cultiva a Santadi?

O protagonista é o Carignano, que nos solos arenosos do Sulcis cresce muitas vezes ainda em pé franco. A seu lado estão a Monica e pequenas quantidades de outras castas tintas e, nas brancas, Vermentino, Nuragus e Nasco, com a qual a cooperativa faz também um vinho doce.

A Santadi é uma quinta ou uma cooperativa?

A Santadi é uma cooperativa vinícola (cantina sociale): cerca de 200 sócios entregam as suas uvas à adega comum. Ao contrário de muitas cooperativas, a Santadi apostou cedo e com determinação na qualidade e é hoje um dos produtores mais conhecidos da Sardenha.

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