Resumo
A Alde Gott Winzer Schwarzwald eG é a cooperativa vitivinícola de Sasbachwalden, uma aldeia vinhateira na orla ocidental da Floresta Negra, entre Offenburg e Baden-Baden. Cerca de 380 explorações associadas cultivam à volta de 266 hectares de vinha na Ortenau, em grande parte encostas íngremes sobre solos de granito e xisto decompostos. A casta claramente dominante é a Pinot Noir, aqui chamada Spätburgunder, que ocupa cerca de 55 % da área e é vinificada tanto em tinto como na versão Weißherbst. A par dela estão Riesling, Müller-Thurgau e Pinot Gris, espumantes de método tradicional e um segundo pilar que só existe assim na Floresta Negra: as aguardentes, a começar pelo Kirschwasser de cereja.
História
O nome é mais antigo do que a cooperativa. Vem de uma lenda do fim da Guerra dos Trinta Anos: o vale do Sasbach estava quase despovoado e, quando dois sobreviventes se encontraram, um deles terá exclamado aliviado que o velho Deus ainda vivia. Da exclamação nasceu um topónimo, do topónimo a vinha Sasbachwaldener Alde Gott e, por fim, o nome da cooperativa.
A cooperativa foi fundada em 1948, nos anos difíceis do pós-guerra. Por trás estava a mesma lógica de toda Baden: muitas pequenas explorações familiares com uns poucos ares de encosta não conseguiam nem vinificar nem vender sozinhas. Juntas, conseguiam ambas as coisas. Ao longo das décadas, o negócio tornou-se um dos maiores produtores da Ortenau, com adega, vinoteca e programa de eventos próprios.
Em 1970 surgiu um segundo ramo: a Alde Gott Edelbrände Schwarzwald eG, uma cooperativa de destilação autónoma que reuniu os fruticultores da região. Desde então, vinho e aguardente estão lado a lado em pé de igualdade, um modelo que espelha a dupla natureza de uma paisagem onde vinhas e árvores de fruto partilham as mesmas encostas.
Localização e Terroir
Sasbachwalden fica exatamente na costura entre a planície do Reno e a Floresta Negra. A localidade abrange um desnível enorme, de cerca de 180 metros no vale até uns 800 metros nas encostas arborizadas, e as vinhas ocupam as suas partes mais quentes, viradas a oeste e a sudoeste. Muitas parcelas são tão inclinadas que tudo tem de ser feito à mão.
Geologicamente, a zona é uma raridade. Em vez dos solos de loesse, calcário conquífero e xisto habituais na Alemanha, dominam aqui os solos de granito decomposto, com alguma proporção de xisto. Estes solos pobres de rocha-mãe aquecem depressa, retêm pouca água e obrigam a videira a enraizar em profundidade. O resultado são brancos de acidez fina e mordente, com um traço mineral fumado, e Pinot Noir de estrutura nítida e boa capacidade de guarda.
Em termos climáticos, a Ortenau beneficia do calor do vale do Alto Reno e de outonos longos e amenos. A Floresta Negra nas costas trava os ventos frios de leste e arrefece as noites: esse contraste entre dia e noite mantém a aromática fresca.
Estilo e filosofia
A gama está claramente escalonada e tem nomes que falam por si: Einblick reúne os vinhos acessíveis do dia a dia, Ausblick e Weitblick os patamares superiores, aos quais se somam especialidades como Süsse Aussicht, KuckKuck, Glückstag e Scheinheilig. A mesma lógica vale para as aguardentes, o que torna reconhecível que vinho e destilado saem da mesma casa.
No estilo, a cooperativa mantém-se fiel à tradição badense sem soar antiquada. Brancos e Weißherbst estagiam sobretudo em inox, para preservar fruta e frescura. Os Pinot Noir vão do tinto suculento e descomplicado a versões mais sérias criadas em tonel grande e barrica, algumas de vinhas velhas. Uma especialidade badense que a Alde Gott cultiva com particular cuidado é o Weißherbst: um rosé de tom claro e brilhante, prensado a partir de uma só casta, aqui a Pinot Noir, com notas de morango e cereja.
Os espumantes nascem todos de fermentação tradicional em garrafa, a partir de vinhos-base selecionados. E as aguardentes cobrem todo o leque da Floresta Negra: Kirschwasser de cereja, aguardentes de ameixa e de outros frutos, bagaceiras e, entretanto, também um whisky da Floresta Negra.
Vinhas e vinhos conhecidos
Quase todos os vinhos levam o nome da vinha do município:
- Sasbachwaldener Alde Gott – a vinha que define Sasbachwalden e dá nome à cooperativa
- Sasbachwaldener Alde Gott Spätburgunder – o tinto da casa, mais frutado ou criado em madeira consoante a linha
- Sasbachwaldener Alde Gott Spätburgunder Weißherbst – a especialidade rosé, muitas vezes como Kabinett
- Riesling de granito decomposto: tenso, cítrico e de mineralidade marcada
- Pinot Gris e Pinot Blanc da linha Einblick, os brancos mais acessíveis da família Pinot
- Espumante de fermentação tradicional em garrafa, além do Kirschwasser da Floresta Negra e das restantes aguardentes
Prémios
A Alde Gott está entre os produtores regularmente premiados de Baden. Alguns vinhos foram distinguidos em concursos internacionais: o Pinot Noir de vinhas velhas conquistou ouro na Berliner Wein Trophy de 2020 e a casa somou êxitos no Mondial du Pinot. Os seus vinhos aparecem ainda repetidamente nas avaliações alemãs de referência da Vinum, da Selection e do Mundus Vini, e nos rankings dos maiores produtores alemães a cooperativa surge bem à frente.
Para a reputação conta pelo menos tanto o que acontece fora da garrafa: provas, caminhadas guiadas pelas encostas e um espaço de prova com bar de vinhos em Sasbachwalden fazem desta adega um dos endereços vinhateiros mais visitados na orla da Floresta Negra.
