Resumo
A Weingut Leitz, em Rüdesheim am Rhein, é uma das casas mais conhecidas do Rheingau – e um exemplo de manual daquilo em que uma pequena exploração familiar se pode transformar. Quando Johannes Leitz assumiu o negócio em 1985, com 21 anos, a família trabalhava apenas três hectares. Hoje a quinta ronda os 110 hectares, exporta para mais de 30 países e é considerada uma referência do riesling das encostas de xisto do Rüdesheimer Berg. Em termos de estilo, Leitz procura clareza em vez de potência: vinhos puristas, de marca mineral, com acidez viva e álcool deliberadamente contido. A isso junta-se uma segunda história de sucesso – a linha sem álcool "Eins Zwei Zero", com a qual a casa ajudou a definir toda uma categoria.
História
A tradição vitícola da família Leitz em Rüdesheim remonta a 1744. A quinta na sua forma atual nasce, porém, do novo começo depois da Segunda Guerra Mundial, quando Josef Leitz reconstruiu a exploração gravemente danificada – o seu nome continua a constar da designação oficial "Weingut Josef Leitz".
A verdadeira viragem chegou em 1985. Johannes Leitz, recém-formado como mestre viticultor, assumiu uma exploração muito pequena, de cerca de 2,9 hectares. Nas décadas seguintes arrendou e comprou de forma sistemática parcelas de encosta no Rüdesheimer Berg – terrenos que outros abandonavam devido ao enorme trabalho manual exigido. Assim, o pequeno negócio tornou-se uma das maiores quintas do VDP no Rheingau. Em 1996 a Leitz entrou na Verband Deutscher Prädikatsweingüter e, em 2011, o guia Gault&Millau nomeou Johannes Leitz "viticultor do ano".
A gama sem álcool é um capítulo próprio. O que começou como projeto secundário tornou-se um êxito internacional sob a marca "Eins Zwei Zero" e está hoje separado numa sociedade própria. A desalcoolização é feita com cuidado num evaporador de vácuo, de modo a preservar o máximo possível do aroma do vinho-base.
Localização e terroir
Rüdesheim situa-se no extremo ocidental do Rheingau, exatamente onde o Reno muda o seu curso para norte e entra no vale estreito do Mittelrhein. O resultado é uma parede de encostas de qualidade rara: o Rüdesheimer Berg, cujos terraços estão orientados quase totalmente a sul e recebem ainda a luz refletida pelo rio. Inclinações bem acima dos 50 por cento significam trabalho exclusivamente manual.
Geologicamente, a colina é um mosaico. O Berg Rottland é marcado pelo xisto cinzento, no Berg Roseneck juntam-se o quartzo e o quartzito, e o Berg Schlossberg dá os vinhos mais severos e longevos sobre um xisto pobre e profundamente alterado. Os solos drenam de forma extrema; as videiras enraízam fundo e têm de lutar pela água – e é precisamente daí que vem a salinidade e a tensão dos vinhos. Um pouco mais para dentro da vila, Magdalenenkreuz e Klosterlay são vinhas mais suaves, que dão rieslings mais acessíveis e frutados.
Estilo e filosofia
Os vinhos da Leitz não são musculados. O objetivo é um riesling linear e purista que mostre origem e não técnica: fruta nítida, acidez precisa, final salino-mineral e álcool conscientemente contido. Muitos vinhos ficam bem abaixo de 12 % vol. – um estilo que deu à casa muitos seguidores, sobretudo fora da Alemanha.
Na adega vale o princípio hands-off: mexer e intervir o menos possível, proteger do oxigénio, estágio calmo sobre as borras finas. Na vinha a casa aposta numa gestão cuidadosa e em menos aplicações e tem certificação segundo o padrão de sustentabilidade Fair'n Green; uma instalação fotovoltaica própria cobre parte das necessidades de eletricidade. Ao lado dos secos de vinha única, a Leitz mantém também a tradição clássica do Rheingau: Kabinett, Spätlese e prädikat doces até à Trockenbeerenauslese continuam na gama.
Vinhas e vinhos conhecidos
A gama está claramente escalonada: dos rieslings de base e de aldeia às Erste Lagen e aos topos das encostas. Entre as vinhas mais importantes da quinta contam-se:
- Rüdesheimer Berg Schlossberg – a mais pobre e longeva, severa e mineral
- Rüdesheimer Berg Rottland – xisto cinzento, especiado e denso
- Rüdesheimer Berg Roseneck – quartzo e quartzito, nervoso e tenso
- Rüdesheimer Berg Kaisersteinfels – em altitude, fresco e especialmente longevo
- Rosengarten – monopólio murado no centro da vila, em torno do castelo Brömserburg
- Kirchenpfad, além das Erste Lagen Klosterlay e Magdalenenkreuz
A isso somam-se o riesling de base distribuído em todo o mundo, o espumante e a linha sem álcool "Eins Zwei Zero" com riesling, rosé e Blanc de Blancs.
Distinções
A Leitz está há anos no grupo da frente dos guias alemães: o Gault&Millau coloca a quinta na categoria mais alta (cinco uvas) e nomeou Johannes Leitz "viticultor do ano" em 2011; também o Eichelmann e a Vinum lhe atribuem a respetiva nota máxima. Internacionalmente, os seus rieslings estão presentes na alta restauração e no comércio especializado de mais de 30 países – e a linha sem álcool tornou a Leitz conhecida muito além do mundo clássico do vinho.
