Resumo
A quinta Wagner-Stempel fica em Siefersheim, no extremo oeste da Rheinhessen, ali onde a região dá lugar à paisagem ondulada e quase áspera da Rheinhessische Schweiz. Em cerca de 25 hectares trabalha Daniel Wagner com a mulher, Cathrin, na nona geração – e fá-lo sobre um subsolo que quase não existe no resto da Rheinhessen: o pórfiro vulcânico. Desta rocha nascem rieslings de fruta fresca, finas notas de ervas e uma mineralidade salina que em duas décadas levaram a casa ao topo da região. É membro do VDP desde 2004 e trabalha com certificação biológica desde 2008.
História
A tradição familiar remonta a meados do século XIX: como ponto de partida da quinta considera-se o ano de 1845. Durante muito tempo, porém, a exploração em Siefersheim não foi puramente vitivinícola, mas sim uma agricultura mista, como era habitual neste canto da Rheinhessen. O vinho era uma perna entre várias e a maior parte da colheita saía a granel. Só em 1985 a família começou a comercializar vinho engarrafado próprio.
A rutura decisiva chegou no início dos anos noventa, quando Daniel Wagner assumiu o comando. Concentrou tudo na viticultura, reduziu rendimentos, passou à vindima manual e focou-se sem hesitações nas parcelas íngremes de pórfiro acima da aldeia. A subida foi rápida: em 2004 a Wagner-Stempel entrou no Verband Deutscher Prädikatsweingüter (VDP) e em 2008 chegou a certificação biológica. Hoje Daniel e Cathrin Wagner dirigem a casa na nona geração.
O que impressiona é que, antes disto tudo, Siefersheim praticamente não tinha nome. Que a aldeia e as suas vinhas sejam hoje mencionadas ao lado das comunas de riesling mais conhecidas da Rheinhessen deve-se em grande parte a esta quinta.
Localização e terroir
Siefersheim situa-se no extremo oeste da Rheinhessen, a poucos quilómetros a sul de Bad Kreuznach e, portanto, mais perto do Nahe do que das aldeias vinhateiras mais famosas junto ao Reno. A paisagem é diferente do coração suavemente ondulado da região: cabeços íngremes, urzais, pedreiras abandonadas e paredes rochosas expostas marcam o cenário. É um dos cantos mais altos e frescos da área, uma vantagem em colheitas cada vez mais quentes, porque as uvas mantêm acidez e aroma.
A verdadeira diferença está no solo. Sob as melhores vinhas encontra-se o pórfiro, também chamado riolito: uma rocha vulcânica dura e rica em sílica, presente apenas numa fração mínima da vinha da Rheinhessen. O pórfiro retém pouquíssima água – a chuva atravessa-o e a videira tem de enraizar fundo nas fendas. É daí que vem exatamente o carácter dos vinhos: pouca fruta gorda, mas garra, notas de ervas e uma persistência salina e mineral. Nas zonas mais planas e um pouco mais suaves, as camadas de loess e argila dão vinhos mais redondos e acessíveis.
Estilo e filosofia
Daniel Wagner descreve o seu trabalho como viticultura artesanal a uma escala controlável. Na prática, isso significa vindima inteiramente manual, rendimentos baixos, manuseamento delicado e uma adega que intervém o menos possível. Os vinhos fermentam devagar e, consoante a origem, estagiam em inox ou em tonéis de madeira tradicionais, com longo contacto com as borras. O objetivo é uma tradução transparente do solo para o copo, e não um estilo de adega sobreposto.
Estilisticamente são vinhos contidos, mais do que exuberantes. Os grandes vinhos de parcela jovens podem parecer francamente fechados e precisam de tempo; só ao fim de alguns anos mostram a sua profundidade. A par do riesling, o silvaner é a especialidade discreta da casa: sobre pórfiro, a casta ganha uma precisão especiada que poucos lhe atribuiriam na Rheinhessen. Juntam-se weißburgunder e chardonnay, pequenas quantidades de spätburgunder (pinot noir), frühburgunder e st. laurent, além de uma linha própria de espumantes.
Biológico desde 2008
A conversão para a agricultura biológica encaixa no lugar: as encostas pobres e pedregosas, com a sua vegetação de urzal, formam um meio sensível em que os enrelvamentos, a vida do solo e a biodiversidade se refletem diretamente na videira. A quinta tem certificação biológica da UE e consta ainda do programa de sustentabilidade FairChoice; um documento próprio resume os seus objetivos nesta matéria.
Vinhas e vinhos conhecidos
A gama segue a pirâmide do VDP: vinhos de quinta, vinhos de aldeia de Siefersheim, vinhos de Erste Lage e, no topo, os Große Gewächse. Entre as vinhas mais importantes contam-se:
- Siefersheimer Heerkretz – a grande parcela clássica da casa, a parte sul do cabeço de pórfiro, extremamente pedregosa e pobre
- Siefersheimer Höllberg – o sítio mais quente da freguesia, um pouco menos pedregoso, de maturação precoce e mais polpa
- Binger Scharlachberg – uma célebre encosta íngreme sobre o Reno, também classificada como grande parcela
- Parcelas de Erste Lage em redor de Siefersheim e em Neu-Bamberg e Fürfeld
Uma boa porta de entrada no estilo da casa é o riesling «Porphyr», feito de videiras mais jovens das duas parcelas de topo: mostra o seu estilo em ponto pequeno, por uma fração do preço dos Große Gewächse.
Distinções
A ascensão da quinta espelha-se nos guias. O Eichelmann elegeu a Wagner-Stempel revelação do ano na edição de 2007, e o Gault-Millau seguiu em 2009 com uma distinção comparável. A revista Stern colocou-a entre as 100 melhores quintas da Alemanha. Desde então, a Wagner-Stempel mantém-se com regularidade nos escalões mais altos dos guias de referência e é considerada um dos endereços de referência do riesling mineral da Rheinhessen. A entrada no VDP em 2004 foi menos um ponto final do que o tiro de partida para o reconhecimento internacional de Siefersheim como origem de riesling.
