Resumo
A Staatlicher Hofkeller Würzburg é uma das mais antigas e maiores quintas de vinho da Alemanha e um ex-líbris da região vinícola da Francónia (Franken). As suas origens remontam a uma escritura de doação do ano de 1128 e, ao longo dos séculos, a cave permaneceu sempre nas mãos do poder dominante – dos príncipes-bispos de Würzburg, passando pela coroa bávara, até à atual quinta estatal do Estado Livre da Baviera. Em cerca de 120 hectares repartidos por toda a Francónia produz sobretudo Silvaner e Riesling secos, engarrafados na típica garrafa Bocksbeutel. O seu legado mais espetacular são, porém, as caves barrocas situadas mesmo sob a Residenz de Würzburg, Património Mundial da UNESCO desde 1981.
História
A história da Hofkeller começa com uma escritura de doação de 1128: o bispo Embricho de Würzburg cedeu então um terreno na atual Zell a irmãos de uma ordem para a fundação de um mosteiro – o início de uma tradição vitivinícola contínua. A partir daí a cave permaneceu ininterruptamente nas mãos do poder dominante. Durante séculos foi a cave de corte dos príncipes-bispos, os soberanos eclesiásticos de Würzburg.
Com a secularização, no início do século XIX as vinhas passaram para a coroa bávara e a quinta tornou-se a Cave Real da Baviera. O fim da monarquia na Baviera, em 1918, conduziu por fim à independente Staatlicher Hofkeller Würzburg, ainda hoje gerida como empresa estatal do Estado Livre da Baviera. Isso faz da quinta uma das poucas cujo percurso se pode seguir quase sem interrupções ao longo de quase nove séculos.
Localização e terroir
A sede da quinta fica no coração de Würzburg, o centro não oficial da viticultura da Francónia junto ao rio Meno. As vinhas não estão concentradas num único lugar, mas repartidas por numerosas parcelas de toda a Francónia – um reflexo da longa história senhorial da casa.
O seu coração é o Würzburger Stein, uma das mais famosas vinhas de encosta da Alemanha. Os solos de calcário conchífero (Muschelkalk) e de arenito colorido (Buntsandstein) da Francónia marcam de forma decisiva o carácter dos vinhos: dão vinhos tensos e minerais, de fruta nítida. O clima continental, com dias quentes e noites frescas, traz maturação a par de uma acidez fresca – uma base ideal para o Silvaner da Francónia.
Estilo e filosofia
Em termos de estilo, a Hofkeller representa vinhos da Francónia secos e de estrutura clara. No centro está o Silvaner, que aqui mostra a sua assinatura tipicamente franconiana: terroso, especiado e mineral, com uma fruta contida em vez de uma aromática exuberante. Essa contenção torna-o um dos brancos alemães mais versáteis à mesa.
Igualmente importante é o Riesling, que desenvolve tensão e finura nos solos calcários e areníticos da Francónia, a par do Müller-Thurgau e do Weißburgunder (Pinot Blanc). Muitos dos grandes vinhos são engarrafados na tradicional garrafa Bocksbeutel – aquela forma bojuda inseparável do vinho da Francónia. Como grande quinta estatal, a Hofkeller combina tradição com uma gama alargada, do vinho de quinta acessível aos Große Gewächse.
Vinhas e vinhos conhecidos
O cartão de visita da quinta são os vinhos das grandes vinhas da Francónia, acima de tudo os Silvaner e Riesling secos. Entre as vinhas mais conhecidas figuram:
- Würzburger Stein – uma das mais famosas vinhas da Alemanha e coração da quinta
- Würzburger Innere Leiste – encosta íngreme virada a sul, junto à cidade
- Randersackerer Pfülben – vinha reputada a sul de Würzburg
Destas vinhas provêm os Große Gewächse e as Erste Lagen da quinta, que se contam com regularidade entre o topo da viticultura da Francónia. A gama é completada por uma ampla seleção de vinhos de quinta e de aldeia que tornam o estilo da casa acessível a preços justos.
Prémios
Como membro do VDP, a Staatlicher Hofkeller classifica as suas melhores vinhas como grandes e primeiras vinhas e surge com regularidade nos principais guias de vinhos alemães. Muito para além dos seus vinhos, porém, a Hofkeller é célebre como monumento cultural: as caves barrocas sob a Residenz de Würzburg, construídas a partir de 1720 juntamente com o palácio por Balthasar Neumann, integram o Património Mundial da UNESCO desde 1981 e fazem da quinta um dos lugares do vinho mais impressionantes da Alemanha.
