Resumo
A quinta Matthias Müller, em Spay, é um dos endereços mais conhecidos do Mittelrhein, aquela faixa estreita e íngreme de vinha ao longo do Reno entre Bingen e Bona que está entre as menores regiões vitícolas da Alemanha. Em cerca de 14 a 17 hectares, com aproximadamente 88 % de riesling, a família produz vinhos das encostas do Bopparder Hamm. Desde 2007 a quinta é membro da VDP e seis das suas parcelas estão aí classificadas como Große Lagen (grandes vinhas). O que a distingue é um estilo tão preciso quanto acessível: rieslings de fruta nítida, especiaria de xisto e acidez viva, em todos os graus de doçura, do seco ao doce de podridão nobre.
História
A tradição vitícola da família Müller em Spay remonta a cerca de 300 anos. Durante muito tempo a exploração foi — como quase todas as do Mittelrhein — uma quinta agrícola mista, em que o vinho era apenas uma fonte de rendimento entre várias. Só há três gerações é que a família se dedica exclusivamente à viticultura.
A viragem decisiva chegou por volta da passagem do milénio, quando Heinrich e Hilde Müller entregaram a quinta ao filho Matthias e à mulher deste, Marianne. O jovem casal aumentou a exploração de cerca de quatro hectares para a área atual e colocou o riesling no centro de tudo. Em 2007 veio a admissão na VDP, um reconhecimento especial para uma quinta do pequeno Mittelrhein.
Em 2012 o guia Gault&Millau coroou o seu trabalho com o título de Viticultores do Ano. Nesse mesmo ano a família inaugurou a sua nova vinoteca no meio do conjunto histórico de casas de meia-madeira de Spay. Hoje já trabalha a geração seguinte: o filho Johannes, depois da formação e dos estudos em Geisenheim, e o filho Christoph, do lado da gestão.
Localização e terroir
Spay fica no extremo norte do Bopparder Hamm, aquela curva espetacular do Reno entre Spay e Boppard considerada a maior encosta íngreme contínua do Mittelrhein. O rio descreve aqui uma curva tão apertada que as encostas de vinha ficam quase totalmente voltadas a sul — uma sorte rara numa zona de resto fria e setentrional.
O solo é marcado pelo xisto devoniano, formado ao longo de milhões de anos a partir de sedimentos marinhos. Acumula o calor do dia e devolve-o às videiras durante a noite, obriga as raízes a aprofundar-se e dá aquela mineralidade salina e fumada que assina os vinhos da casa. A isto junta-se o próprio Reno: como enorme reservatório térmico, suaviza as geadas tardias e prolonga o ciclo vegetativo. Por isso o Bopparder Hamm é tido como uma das vinhas mais quentes da região e dá vinhos com substância e força.
O reverso é o trabalho. Com declives que em alguns troços ultrapassam largamente os 50 %, não entra maquinaria. Quase todas as operações — poda, trabalho em verde, vindima — são feitas à mão.
Estilo e filosofia
O lema da quinta é Rhein.Schiefer.Riesling (Reno. Xisto. Riesling). Descreve uma tríade: o clima ameno junto ao rio, o xisto das encostas e a casta que melhor traduz ambos. Os vinhos devem mostrar a sua origem: fiéis à parcela, com fruta marcada, especiaria fina e aquela acidez tensa que torna o riesling do Mittelrhein tão longevo.
A gama cobre de propósito todo o espetro de doçura: vinhos secos de quinta, de aldeia e de parcela, rieslings meio-secos, clássicos Prädikat frutados e doces e, nas colheitas propícias, raridades doces de podridão nobre. Completam o programa as castas borgonhesas — grauburgunder, weißburgunder e spätburgunder — e uma linha própria de espumantes sob a marca Momentum Sektmanufaktur.
A sustentabilidade não é um pormenor: a exploração está certificada pelo padrão Fair'n Green, que avalia critérios sociais e económicos além dos ecológicos.
Vinhas e vinhos conhecidos
Todas as vinhas centrais da quinta ficam no Bopparder Hamm. A VDP reconhece seis delas como Große Lage, o patamar mais alto da sua classificação:
- Bopparder Hamm Feuerlay – quente e potente, muitas vezes os vinhos mais densos da casa
- Bopparder Hamm Fässerlay – fino e tenso
- Bopparder Hamm Mandelstein – especiado, com nota clara de xisto
- Bopparder Hamm Ohlenberg – profundo e longevo
- Bopparder Hamm Engelstein – elegante e frutado
- Bopparder Hamm An der Rabenlei – marcadamente mineral
A gama segue uma hierarquia clássica: dos vinhos de quinta mais acessíveis aos vinhos de aldeia e, no topo, aos vinhos de parcela das vinhas referidas. A estes juntam-se os vinhos com Prädikat — Kabinett, Spätlese e Auslese — e os cumes doces nas colheitas adequadas.
Distinções
A distinção mais importante foi o título de Viticultores do Ano 2012 no guia Gault&Millau. Desde então a quinta aparece com regularidade nos principais guias alemães e a imprensa especializada conta-a entre os emblemas do Mittelrhein; também a vinoteca de Spay foi reconhecida pelo seu desenho. A admissão na VDP em 2007 marca o reconhecimento do setor: no Mittelrhein a associação tem apenas um punhado de membros. Em conjunto com alguns outros produtores, a família Müller contribuiu de forma decisiva para que o Mittelrhein volte hoje a ser visto como uma origem de riesling com identidade própria.
