Resumo
M. Chapoutier, sediada em Tain-l'Hermitage, é um dos nomes mais conhecidos do Ródano norte. Fundada em 1808, a casa é ao mesmo tempo domaine e négociant, mas, ao contrário das casas puramente comerciais, dispõe de importante vinha própria e é a maior proprietária de vinhas da lendária colina de Hermitage. Em cerca de 390 hectares de vinha própria, trabalhada em biodinâmica, produz Syrah potentes de Hermitage, Crozes-Hermitage, Saint-Joseph e Côte-Rôtie, além de brancos de Marsanne e Roussanne. Desde que Michel Chapoutier assumiu o leme nos anos 1990, a casa representa um trabalho de terroir sem concessões, uma biodinâmica radical e as célebres seleções de parcela, que alcançaram várias vezes a pontuação perfeita de 100 pontos Parker.
História
As origens da casa remontam a 1808, quando ao pé da colina de Hermitage, em Tain-l'Hermitage, nasceu um comércio de vinhos. Tornou-se uma história de família quando Polydor Chapoutier adquiriu as suas primeiras vinhas próprias em 1879, lançando as bases da propriedade atual. Ao longo das gerações, a Chapoutier cresceu até se tornar um dos nomes mais importantes do Ródano.
A viragem decisiva chegou por volta de 1990, quando Michel Chapoutier assumiu o comando. Rompeu com os velhos hábitos, orientou a casa de forma rigorosa para a origem de cada parcela e, a partir de 1991, converteu as vinhas próprias à biodinâmica, numa época em que ainda era vista como excêntrica. Desta reorientação radical nasceram as seleções de parcela hoje mundialmente famosas e a reputação internacional da propriedade como um dos grandes endereços do Ródano norte.
Localização e terroir
O coração de tudo é a colina de Hermitage, acima de Tain-l'Hermitage: uma cúpula de granito íngreme e voltada a sul, na margem esquerda do Ródano, considerada uma das grandes vinhas de vinho tinto do mundo. A Chapoutier é aqui a maior proprietária de vinhas e vinifica vinhos distintos a partir de diferentes setores da colina. O subsolo muda em pequena escala do granito ao loess e à argila, e destes aos seixos e ao sílex, o que dá a cada parcela um caráter próprio.
À volta da sede estendem-se as vinhas de Crozes-Hermitage, enquanto na margem direita do Ródano se erguem os socalcos íngremes de Saint-Joseph e, mais a norte, os de Côte-Rôtie. O clima do Ródano norte é de caráter continental, com o vento Mistral, que seca e mantém as uvas sãs. Para além do Ródano norte, a Chapoutier cultiva também vinhas no sul do Ródano e noutras regiões.
Estilo e filosofia
A ideia orientadora da Chapoutier é que o vinho deve mostrar o solo, e não a assinatura do enólogo. Por isso cada parcela importante é estagiada em separado, com a menor intervenção possível, fermentação espontânea e um uso contido da madeira. As Syrah tintas são profundas, especiadas e longevas; os brancos de Marsanne e Roussanne surpreendem pelo corpo e pelo potencial de guarda. No sul do Ródano junta-se a Grenache.
A base de tudo é a biodinâmica: as vinhas próprias têm certificação Demeter, os solos são mantidos vivos e o trabalho segue o ritmo natural das videiras. Para Michel Chapoutier isto não é marketing, mas a condição para que o terroir chegue realmente ao copo.
Braille em cada rótulo
Uma marca que nenhuma outra grande casa de vinhos mostra com tanta constância: desde 1996, cada rótulo Chapoutier traz o nome do vinho em braille. Michel Chapoutier introduziu-o por uma ligação pessoal, inspirado por um amigo cego, para que as pessoas cegas e com deficiência visual possam reconhecer o vinho pelo rótulo de forma autónoma. O que começou como um gesto tornou-se um sinal de identidade inconfundível e único no mundo.
Vinhas e vinhos célebres
Os ex-líbris são as seleções de parcela (Sélections Parcellaires) da colina de Hermitage: cada uma de uma única vinha, cada uma uma expressão pura do seu solo:
- Le Pavillon – Syrah densa e potente de videiras velhas sobre granito
- L'Ermite – do topo da colina, especialmente mineral e concentrada (tinto e branco)
- Le Méal – ampla e opulenta, de solos de seixos
- Les Greffieux – mais acessível e aromática
- De l'Orée – célebre seleção branca de Marsanne
A estas juntam-se as cuvées de maior disponibilidade, como o Crozes-Hermitage tinto e branco ou as gamas de entrada que tornam acessível o estilo da casa.
Distinções
M. Chapoutier está entre os produtores mais bem pontuados do Ródano. Ao longo dos anos, o crítico Robert Parker atribuiu toda uma série de pontuações de 100 pontos às grandes seleções de parcela como L'Ermite, Le Méal e Le Pavillon, tanto em tinto como em branco. Juntamente com o papel pioneiro na biodinâmica e o sinal social dos rótulos em braille, a casa garantiu assim um lugar firme entre os nomes de referência do grande vinho francês.
